sexta-feira, 25 de março de 2011

Os teus olhos belos e puros

Os teus olhos, tão belos, tão puros, de vivo luzir,


Estrelas incertas, que as águas dormentes do mar vão ferir;

Teus olhos, tão belos, tão puros, têm meiga expressão,

Mais doce que a brisa, mais doce que o nauta de noite cantando,

Mais doce que a flauta quebrando a solidão.

Teus olhos tão belos, tão puros, de vivo luzir,

São meigos infantes, gentis, engraçados brincando a sorrir.

São meigos infantes, brincando, saltando em jogo infantil.

Inquietos, travessos; — causando tormento,

Com beijos nos pagam a dor de um momento,

Com modo gentil.

Teus olhos tão belos, tão puros, assim é que são;

Às vezes luzindo, serenos, tranquilos, às vezes enfurecidos como um vulcão!

Às vezes, oh! sim, derramam tão fraco, tão frouxo brilhar,

Que a mim me parece que o ar lhes falece,

E os olhos tão meigos, que o pranto umedece

Me fazem chorar.

Assim lindo infante, que dorme tranquilo, desperta a chorar;

E mudo e sisudo, cismando mil coisas, não pensa — a pensar.

Nas almas tão puras da virgem, do infante, às vezes do céu

Cai doce harmonia duma harpa celeste,

Um vago desejo; e a mente se veste

De pranto com um véu.

Quer sejam saudades, quer sejam desejos da pátria melhor;

Eu amo teus olhos que choram em causa um pranto sem dor.

Eu amo teus olhos, tão puros, de vivo fulgor;

Teus olhos que exprimem tão doce harmonia,

Que falam de amores com tanta poesia, com tanto pudor.

Teus olhos tão belos, tão puros, assim é que são;

Eu amo esses olhos que falam de amores

Com tanta paixão.

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